
Aurora Lubiz era pequena, bem pequena, quando deu seus primeiros passos, os de dança inclusive. Fez muitos anos de balé clássico, dança moderna, passou pelo jazz, enamorou-se do flamenco, tornou-se profissional e, por muitos mais anos seguidos, dedicou-se ao folclore argentino dançando chacareras, zambas-gatos e outras tantas danças populares que se bailam no interior da Argentina. São como “primas irmãs” das nossas danças gaúchas, explica Aurora.
Ela – que é considerada a “madrinha” do Cruzeiro Temáticos Tango & Milonga, foi a inspiradora desse cruzeiro em 2007 e esteve em todos os já realizados – ensina os hóspedes como dar um envolvente abraço e partilhar elegantes passos de tango uns com os outros. Aurora diz que a dança de salão é uma dança solidária, onde um precisa do outro para se dar bem: “É preciso que haja conexão e respeito entre quem dança. Quando um dos dois propõe os movimentos, o outro deve aceitar sua condução.” Super simples, parece, assim dizendo.
Dona de uma das mais conhecidas escolas de tango de Buenos Aires, Aurora afirma que o ensino do tango é igual para homens e mulheres que precisam aprender os movimentos básicos e essenciais. A partir daí há sequências e movimentos que são diferentes para cada sexo e que são ensinados em grupos separados: homens para um lado; mulheres para o outro.
Mas isso é coisa recente. Antigamente as aulas de tango eram somente para homens. Nos anos 80, quando o tango ganhou um novo impulso e voltou à moda, sua geração de bailarinas começou a ir às milongas e a frequentar “las praticas”, pequenas aulas que antecediam os bailes de milongas. “O interessante, conta Aurora, é que a nossa geração aprendeu, nessas práticas, a dançar com professores homens e mulheres idosas. Foi quando decidi que precisava começar a ensinar mulheres a dançar tango, explicando os movimentos com mais detalhes e mais profundidade.”
Ela lembra que, gradativamente, as novas tangueiras agregaram coreografias ao tango, imprimindo mais velocidade e novos movimentos que acompanhavam os passos do tango tradicional, dando uma pegada diferente que agradava a todos.
Foi assim que Aurora decidiu compartilhar com outras pessoas suas experiências e sua busca como artista no que ela chama de “maravilhoso mundo da dança de salão: um casal abraçado fazendo variações de movimentos com as pernas.”
Essencialmente vibrante, o tango vem conquistando adeptos e lotando pistas de danças.
E você? Já comprou o sapatinho preto de alça no tornozelo?
Lembre-se. O Tango & Milonga parte de Santos rumo à Buenos Aires no dia 22 de janeiro.










